Amor de vira-lata: Mel e eu, Mel e nós

12
Posted March 24, 2013 by Rejane Medeiros in Pet

Quem ama seus bichanos só vive derretido por eles. No meu caso, fico ainda mais com minha Mel, uma vira-lata de olhos azuis, cor de mel e doce como uma cocada. Nosso primeiro encontro foi amor à primeira vista. Um amigo estava desabafando comigo sobre o que aconteceu com a cadela dele, uma Husky Siberiano purinha que foi bolinada por um vira-lata que rondava a vizinhança há tempos. O sabichão invadiu a casa dele e esta travessura canina rendeu sete lindos filhotes. Depois de muita luta para acomodar cada filhotinho em uma casa segura e confiável, meu amigo se queixava, justamente, da última que já estava passando do tempo para achar um lar. Eu nem queria ver, mas depois de tanta insistência… Topei.  Estava relutante, pois era um assunto difícil de lidar, já que fiquei muito sensível após as minhas últimas companheiras de aventuras (as cadelas, Cherry e Layca, e a gatinha, Esmeralda), terem morrido uma depois da outra, seguidamente. Foi um ano e seis meses de notícias tristes. Contudo, quando ele veio com aquela bolinha de pelos na mão, me apaixonei. Peguei – a no colo e não larguei mais. Ela era tão linda e boazinha, que acreditei que sua chegada traria vida a casa.

E assim foi.

foto (5) (428x428)

Nos anos seguintes, a Mel foi crescendo e ficando cada vez mais travessa. Mas os motivos que a tornava tão especial e diferenciada eram suas delicadezas, doçuras e educação. Isso mesmo, cachorro também pode ser munido desta qualidade tão importante entre os humanos: a educação. A Mel não late, uiva só de vez em quando, não fica em cima da gente quando estamos comendo. Aliás, quando ela quer algo, faz aquela cara do gatinho do Shrek. Se qualquer pessoa servir algo a ela, mesmo que seja saboroso, ela pega delicadamente. Até os visitantes de primeira viagem podem interagir com ela. Tudo é tranquilo: fazer carinho, “conversar” e dar comida na boca. Nossa casa está sempre cheia e os comentários dos amigos é justamente sobre o seu comportamento exemplar, mesmo diante do entra e sai. A Mel apenas fica ligada para ver se conhecemos os visitantes, mas não late ou faz escândalo, além de ser muito carinhosa e paciente com crianças.

Fotos mel 1

Como dizer não a uma coisinha dessas? Impossível. Hoje a Mel tem 11 anos…

Fotos mel 2

Mel brincando com sua mãe, a fofa Yoko

Quando ela estava com três anos, descobri que estava grávida. Logo fiquei preocupada em prepará-la para a chegada do bebê. Comecei a apresentá-la ao meu novo mundo, pedindo para cheirar minha barriga, mostrava o quartinho, enfim, conversava com ela. E, então, um dia o Bernardo chegou. Lembro até hoje das carinhas que a Mel fazia quando o ouvia chorar. Ela ficava me olhando como se estivesse perguntando o que estava acontecendo. Daí, peguei o Bê no colo e o aproximei dela para que ela o cheirasse, o conhecesse. Queria que aquele momento fosse o menos traumático possível, mas a Mel – lady como sempre- tirou de letra a situação e logo tornou-se uma linda cão de guarda, dormindo embaixo do berço, do carrinho e sempre acordava junto como o choro do meu filhote. Sentia que ela me acompanhava nos cuidados.

foto (4)

Para mim, o mais difícil não foi a chegada do bebê, mas sim quando eles vão crescendo, engatinhando, andando e ficando cada vez mais agressivos com os bichinhos. Não é na maldade, claro, mas muitas vezes os pequenos caem em cima do cachorro – que está dormindo, por exemplo – e isso se torna uma preocupação, pois não dá para saber qual será a reação do pet com o susto. Porém, o tempo foi passando e a Mel recebendo vários puxões de orelha, brinquedos no rosto e por aí vai, e reagindo do jeitinho dela. Ás vezes fazia umas carinhas de pedido de socorro para algumas brincadeiras e, em alguns momentos, dava aquele latido de alerta que não estava gostando nada daquilo. Bernardo se assustava e parava. Eu sempre explicava a ele que tinha que tratá-la com carinho, e para a Mel, mirava com um olhar “por favor, meu amor, tenha paciência”. E ela atendia.

foto (6)

Hoje, o Bernardo está com sete anos e minha doce Mel, com 11. Ele continua aprontando todas com ela: põe roupa, chapéu, casaco, faz cabaninha para ela dormir, dá comidinha na boca. E ela continua com a maior paciência. Agora vou ter que prepará-la novamente para a próxima que logo, logo chegará. Certa de que será um encontro tão lindo quanto foi com o Bê.

 foto (7)


About the Author

Rejane Medeiros